Pesquisadora da UFRJ dedica quase três décadas de pesquisa à polilaminina, molécula
capaz de reverter lesões medulares e que recebeu sinal verde da Anvisa para testes
clínicos
Fonte: Forbes MulherA bióloga Tatiana Sampaio conquistou a atencao do Brasil todo com a descoberta da
polilaminina, versão recriada em laboratório da laminina, proteína produzida
naturalmente pelo corpo e que ajuda os neurônios a se conectarem. Desenvolvida pela UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro) a partir da placenta humana, a molécula
reacendeu a esperança de vítimas de lesões na medula, até entao sem opções terapêuticas capazes
de reverter o dano.
Iniciada em 1998, a pesquisa liderada pela cientista carioca, coordenadora do Laboratório de
Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciencias Biomedicas da UFRJ, desenvolve um
medicamento capaz de reverter ou minimizar as lesoes e devolver movimentos a humanos.
Durante o estudo, a polilaminina foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos e
ajudou a recuperar movimentos em seis deles. Um dos participantes, que estava paralisado do
ombro para baixo, voltou a andar sozinho.
Em janeiro de 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o início do
estudo clínico para avaliar a segurança do uso do medicamento no tratamento de lesão da medula
espinhal ou coluna vertebral. Nessa primeira fase, o estudo da polilaminina é realizado em cinco
pacientes voluntários. A expectativa é que, ao ser aplicada na área lesionada, a proteína estimule a
formação de novas conexões nervosas e possibilite a recuperação dos movimentos.
De acordo com informações da Agência Brasil, em dezembro de 2023, a descoberta rendeu R$ 3
milhões em royalties à UFRJ, divididos entre os inventores envolvidos, a universidade e o Instituto
de Ciências Biomédicas da instituicao - o maior valor em royalties já recebido pela instituição até
então. Segundo a cientista, o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina após cortes que
atingiram a UFRJ.
A pesquisa conta com uma parceria com o laboratorio farmaceutico Cristalia e apoio da FAPERJ
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).
A carreira de Tatiana Sampaio na Ciência
Apaixonada por ciência desde criança, Tatiana Sampaio decidiu cursar Ciências Biológicas na UFRJ.
Desde entao, nao saiu mais do mundo acadêmico. Fez mestrado e doutorado na área, além de
estágios de pos-doutorado na Universidade de Illinois (EUA) e na Universidade de Erlangen-
Nuremberg (Alemanha). Aos 27 anos, assumiu uma vaga como professora na UFRJ.
Hoje, aos 59 anos, além de liderar a pesquisa com a polilaminina, também conduz um estudo com
cães para avaliar efeitos em lesões crônicas. É sócia e consultora científica da Cellen, empresa de
produção de células-tronco para uso veterinário.

Comentários
Postar um comentário