O sonho de reabrir a maior mina de ouro a céu aberto da América Latina que está fechada há 33 anos

 Durante boa parte do século XX, as maiores minas de ouro da América Latina atraíram multidões em busca de riqueza rápida.

Fonte: O Antagonista


Durante boa parte do século XX, as maiores minas de ouro da América Latina atraíram multidões em busca de riqueza rápida, em cenários de jornadas exaustivas, pouca infraestrutura e forte pressão econômica, deixando marcas profundas em comunidades locais, especialmente na Amazônia brasileira;.


Contudo, hoje, em meio a regras ambientais mais rígidas, maior transparência e fiscalização, discute-se se é possível retomar antigas jazidas sem repetir os impactos sociais e ambientais do passado.


O que caracteriza a mineração de ouro a céu aberto na América Latina

A mineração de ouro a céu aberto remove grandes volumes de terra para acessar camadas minerais próximas à superfície, consolidando-se em estados amazônicos e regiões andinas, onde pressiona ecossistemas sensíveis.



No Brasil, a mina de oura de Serra Pelada, no Pará tornou-se referências em lavras gigantescas durante a década de 1980, atrairando dezenas de milhares de trabalhadores e reorganizaram economias locais.


O interesse em reativar a antiga mina de Serra Pelada está ligado à alta do preço internacional do ouro, ao avanço tecnológico e à necessidade de emprego em cidades que perderam dinamismo.


Porém, a reabertura exige enfrentar passivos ambientais, disputas fundiárias e judiciais, além de adaptar operações às normas atuais de segurança e sustentabilidade.


Quais são os desafios para reabrir a mina de ouro de Serra Pelada

A retomada de uma mina de ouro tão grande quanto Serra Pelada exige muito mais do que constatar a presença de ouro no subsolo, incluindo estudos técnicos, regularização fundiária, planejamento financeiro e recuperação de estruturas abandonadas.


Em regiões como o interior do Pará, frentes de lavra antigas e taludes instáveis elevam o risco de acidentes e exigem projetos de engenharia atualizados.


Entre os obstáculos mais frequentes para reativar jazidas desativadas, destacam-se questões que envolvem tanto a governança quanto a segurança operacional:


Desafios para reabrir a Mina de Ouro de Serra Pelada


Categoria Desafio Estratégico Impacto Direto

Ambiental Licenciamento ambiental rigoroso, exigindo controle técnico de resíduos, gestão adequada de rejeitos, restrições ao uso de mercúrio e recuperação integral de áreas degradadas. Aumento de custos operacionais, maior tempo para liberação das atividades e necessidade de investimentos pesados em sustentabilidade e compliance ambiental.

Governança Conflitos internos em cooperativas, disputas por liderança, denúncias de má gestão e ações judiciais que fragilizam a organização institucional. Instabilidade administrativa, insegurança jurídica e dificuldade para atrair investidores ou parceiros estratégicos.

Financeiro Endividamento histórico envolvendo passivos trabalhistas, fiscais e contratuais que restringem novos aportes de capital. Limitação de crédito, bloqueios judiciais e comprometimento da capacidade de modernização da infraestrutura.

Segurança Riscos estruturais elevados, com equipamentos corroídos e áreas instáveis que ampliam o risco de desmoronamentos. Exposição a acidentes graves, necessidade de auditorias técnicas rigorosas e altos custos para reestruturação operacional.


Como a mineração de ouro impacta a sociedade brasileira

A mineração de ouro no Brasil está ligada a intensos fluxos migratórios e à formação de cidades ao redor de grandes frentes de extração, muitas vezes sem infraestrutura adequada.


Em períodos de auge, pequenos municípios enfrentam superlotação, moradias precárias, aumento da violência e sobrecarga dos serviços públicos.


Além dos efeitos imediatos, a dependência econômica da mineração torna essas localidades vulneráveis a oscilações de preço e ao esgotamento das jazidas.



Isso reforça a importância de políticas que diversifiquem a economia local e garantam melhores condições de trabalho e proteção social aos garimpeiros e suas famílias.



Quais são os principais impactos ambientais de uma mina de ouro?

As grandes minas de ouro a céu aberto na Amazônia contribuíram para o desmatamento, alteração de cursos d’água e degradação do solo, deixando crateras e lagos artificiais como herança física.



O uso de mercúrio em garimpos artesanais contamina peixes e põe em risco a saúde de comunidades ribeirinhas, gerando um passivo ambiental de difícil reversão.


A presença de atividades clandestinas reforça a percepção de que ainda há ouro disponível, mas amplia riscos de contaminação, conflitos com comunidades tradicionais e lavagem de dinheiro.



Transformar esse trabalho irregular em operações legalizadas é central para reduzir danos ambientais e sociais.


Como conciliar exploração de ouro e sustentabilidade na Amazônia

Ao discutir reaberturas ou novas minas, órgãos públicos e entidades locais buscam equilibrar geração de renda, preservação ambiental e direitos das populações afetadas.


A experiência de antigas jazidas serve como alerta sobre os limites da exploração intensiva em regiões sensíveis como a Amazônia.



Entre as diretrizes consideradas fundamentais estão estudos de impacto ambiental participativos, planos de recuperação de áreas degradadas, redução ou eliminação do uso de mercúrio, formalização dos trabalhadores e vinculação de parte da renda mineral à melhoria de serviços públicos e à qualidade de vida das comunidades locais.

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